A loja de mamãe era famosa no bairro. Vendia muitas coisas legais, algumas extremamente caras. Mas era uma dessas lojas que possuem de tudo.
Um dia alguns garotos negrinhos, de roupas maltrapilhas, que pareciam não tomar banho a dias entraram na loja. Eram muito mais novos que eu, que acabava de fazer 13 anos, e eles deveriam ter entre 7 e 8 anos. Entraram encantados com todas as coisas que ali havia. Mamãe logo que os avistou me mandou vigia-los. Seu pedido, no entanto não foi em vão, pois em questão de segundos os garotos saíram da loja correndo. Minha mãe sem pensar me mandou correr atrás dos garotinhos.
Corri e quando os avistei os garotos riam de mim e me chamavam de "playboy" e "filhinho da mamãe". Acreditam? Aqueles pirralhos que mal haviam saído das fraudas estavam me zuando!?
Eles não perdiam por esperar!
Previ o caminho que fariam através da direção que iam e pelo modo que estavam vestidos. Não era a primeira vez que os via no bairro. Astutamente cortei o caminho que faziam, encontrando-os do outro lado de um quarteirão.
Segurando um deles pelas duas pernas o outro falou:
_O negão pegô!
_O negão? E onde ele ta?
Foram me mostrar. Coloquei o menorzinho no lombo, pra que não fugisse, e ele foi me guiando.
Quando vi o negão me assustei. Parecia um gigante. Mas não me intimidei, o abortei e fiz pose de mau.
O negão tranquilamente me encarou de cima em baixo, deu um sorriso, e não se mostrou nada assustado estendeu o braço e abriu a mão, devolvendo o que os garotos haviam pegado.
_Balas?!
O grande, os pequenos, o médio, o grande, e o pequeno.
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