Nem dormi

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Acabo de acordar
parece que nem dormi
o último pensamento de ontem
foi o primeiro de hoje
VOCÊ

Luz e Sorriso, Olhar e Frescor

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Achei que a chuva não viria
o cheiro da terra molhada
meu olfato não sentiria

perdi sensibilidade
minhas idéias
não brotaram

mas bastou este olhar
para refrescar

bastou um sorriso de luz
para alimentar

e uma plantação de idéias
voltar a brotar

O mineirão ficou vermelho

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Ganhar uma Libertadores não é uma tarefa fácil, isso pode confirmar qualquer time que já ganhou. Só de chegar a jogar o time já deve se considerar vitorioso.

Ganhar um campeonato regional e depois ganhar a Copa do Brasil, ou então jogar o campeonato mais disputado do mundo e ficar entre os quatro primeiros. Isso representa o quão árduo é o caminho. Depois para se consagrar campeão da América Latina é preciso ainda passar por vários times tão bons quanto, que passaram pela mesma trajetória até chegar ali.

Em uma final ambos podem se considerar vencedores, os dois times poderão ser considerados iguais, mas apenas aquele que estiver melhor exatamente no dia da final poderá sair campeão.

Uma final de Libertadores é momento único, por toda trajetória até ali, apenas aquele que tiver na mente que dará o próprio sangue para vencer sairá vitorioso. É garra, vontade, é uma batalha.

Estudiantes não jogou para esperar um erro do Cruzeiro, jogou para forçar o erro. Não se intimidou com a casa do adversário, marcou bem e soube anular o outro time, que sim, ficou intimidado.

A vantagem da torcida era do Cruzeiro que poderia ter colocado 200 mil no Mineirão se pudesse, mas 200 mil teriam que encarar o mesmo resultado. Invariavelmente o que faltou não foi torcida, talento também não faltou, pois o time chegou como favorito. Faltou um time sólido, com mais experiência e com a cabeça no lugar.

Não se pode ignorar alguns fatores técnicos também. Uma boa guarnição nas laterais, faltou, principalmente a esquerda, aliás isso falta a muito tempo. Os laterais cruzeirenses atacam muito, mas se perdida a bola a defesa fica desprevenida. Faltou um articulador também, apenas Marquinhos Paraná estava fazendo bem a função.

É necessário assumir os erros para não voltar a repeti-los e infelizmente afirmar que o Estudiantes foi mais time, não jogou maravilhosamente, mas soube com garra anular o time do Cruzeiro e aproveitar as poucas chances de gol. O título é merecido principalmente quando se ganhou o jogo mais importante, a final.

Choque de mundos

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Do nada lhe bateu uma agonia, Juan, não sabia por que, mas sentia algo ruim sobre o mundo naquele dia. Seu companheiro no serviço sentia que ele não estava bem durante o almoço, lhe perguntou o que afligia a sua mente. Deu de “João sem braço” e fingiu que estava bem. A agonia apenas aumentava, porque ele não sabia responder a pergunta.
Ele remexia a mente e não encontrava uma resposta especifica do motivo do teu tormento, mas encontrava nele uma pessoa que jamais havia percebido. Olhando no espelho de sua cabeça começou a ver uma pessoa insatisfeita com a maioria das coisas que giravam em torno dele. Sentia-se pequeno, fraco, sem poder para mudar a sua vida.
Voltando ao trabalho após o almoço naquele dia, ainda envolto na nuvem de incertezas, sentou-se tranquilamente em sua cadeira e voltava aos seus afazeres, quando um barulho de vidro quebrando, quebrou o silêncio e a concentração. Havia vozes gritando e imaginou que seriam dois bêbados discutindo na rua. Foi até a janela onde já encontravam outros curiosos de seu trabalho, quando olhou ficou surpreso. Um mendigo segurando um casco de cerveja quebrado. Bradava indignado com alguém da empresa. A empresa era separada da rua por uma grade, e naquele momento um homem gritava com outro pelo lado de fora com um caco de vidro na mão. Dizia:

_Vem aqui fora. Quero ver se você é homem. Ai dentro você é homem...

Quem via sem entender o contexto da situação logo pensava:

_Precisamos chamar a polícia, o homem parece estar louco.

Mas era preciso um pouco mais de observação para qualquer atitude. Ainda mais porque em alguns segundos alguém que também estava na janela deu a explicação.

_Este homem estava cagando ali no passeio, ai eu comentei com o pessoal. Não sei o que deu no Carlos que ele foi lá fora e gritou com o cara. Agora esse mendigo ta lá puto com ele.

Juan e todos ali observando começaram a escutar de verdade o que o mendigo dizia:

_Você, playboy, é graduado em sei lá o que. É pós-graduado em não sei o que. Devia ter vergonha do que fez. Devia saber que dessa grade aqui pra fora é diferente, diploma não ajuda a sobreviver. Você não conhece o que é viver na rua. Se você estivesse aqui no meu lugar não duraria um segundo.

Engraçado que ao ver aquilo, Juan sabia que o mendigo falava para o Carlos, mas ele sentia que aquilo era direcionado para ele. Alguém do seu lado então falou:

_Pior que o que ele está falando é verdade.

Todos ali então se entre olharam, calaram-se e voltaram ao trabalho.
Juan se sentiu pior ainda no resto da tarde.

Vidraça

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Olho a vidraça
nela vejo os teus olhos
pegando fogo dentro de mim
mas é o reflexo da vidraça
da minha ilusão
da janela do meu quarto vazio
mudo
de seu silêncio que deixa o vazio cheio da elegância que me faz olhar a vidraça
nela vejo os teus olhos
pegando fogo dentro de mim
mas é o reflexo da .vidraça
da minha ilusão
da janela do meu quarto vazio
mudo
de seu silêncio que deixa o vazio cheio da elegância que me faz olhar a vidraça
nela vejo os teus olhos
pegando fogo dentro de mim
mas é o reflexo da vidraça da minha ilusão
da janela do meu quarto vazio
mudo
de seu silêncio que deixa o vazio cheio da elegância que me faz olhar a vidraça
nela...
e não me canso...

Sorriso morto

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Sorriso involuntário

Que brota sem se ver

De um dia inacabado

Terminado sem te ter

Com um prazer cortado

Se sente derrotado

Quem me dera planejado

Uma noite com você

Só o silêncio lembrado

Do tato

Do meu contato

preencheu-me

A bocarra de dentes

Do fato não consumado

Do dia inacabado

Do prazer cortado

Com um sorriso involuntário

O último suspiro de Carlitos

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CHAPLIN, Charles. Filme Tempos Modernos. Charles Chaplin Productions, 1936.

Esta foi a última das histórias de um personagem histórico, que conquistou públicos de diferentes idades, classes, e épocas. Carlitos, como é chamado no Brasil, é a maior expressão de um personagem em toda a história do cinema, não existe forma de falar de cinema sem falar sobre ele. Criado por Charles Chaplin, que também escreve e dirige este filme, além de muitos outros com a mesma personagem, Carlitos dá seu último suspiro, sem perder a sensibilidade na hora de fazer piadas e chacotas sobre a mudança do tempo, a política e as diferenças sociais.

Charles Chaplin quando gravou este filme vivia o auge da sua carreira e continuava fazer seus filmes mudos apesar do som no cinema na época já ser realidade. Carlitos era uma personagem que por essência era muda, e este fato é exatamente um reforço sobre o tema do filme, mostrando assim que nestes tempos modernos não há mais lugar para Carlitos.

Utilizando a técnica das gags, própria da splastick comedy, Chaplin trabalha com sutileza em cada cena.

Na primeira seqüência temos Carlitos trabalhando como operário em uma das típicas linhas de montagem da época. O trabalho é repetitivo e longo sem tempo para pausas, por esse motivo a personagem desengonçada e preguiçosa arruma muita confusão, e com piadas inteligentíssimas critica a forma de pensar da burguesia, dona das fabricas, e que apenas importavam com o lucro. Cenas como o momento em que vai no banheiro e um telão se acende mostrando que está sendo vigiado, para não parar de trabalhar, e a que o dono da fábrica experimenta uma máquina para alimentar os empregados sem que precisem parar, fazem críticas à forma de pensar capitalista e provoca muitas gargalhadas. No fim da seqüência Carlitos fica louco, por causa dos movimentos repetitivos e da alta carga horária de trabalho. É uma das cenas mais divertidas, onde provoca muita confusão, provocando os funcionários da fábrica, e apertando todas as coisas parecidas com parafusos com suas ferramentas, por ter feito tantos movimentos repetitivos, a cena termina sendo levado para um sanatório.

A segunda seqüência começa com Carlitos saindo do sanatório, curado, mas liberto por apenas uma fração de tempo, pois com muita facilidade já arruma confusão e é preso por ser confundido como o líder de manifestantes que estão nas ruas. A seqüência da cadeia é o momento mais tranqüilo no filme para nosso querido personagem, pois mostra que na cadeia as pessoas estão muito mais livres do que fora dela. Há uma cena que mostra Carlitos lendo um jornal e fica espantado com as notícias, sobre o mundo fora da prisão, onde reina o desemprego e a fome.

A segunda parte do filme se inicia quando Carlitos sai da prisão e conhece uma garota órfã que luta na vida para conseguir alimentar as irmãs. A seqüência após a prisão passa a criticar o estilo de vida burguês e passa a ter algumas cenas de perseguição, que são típicas das comédias de splastick. Pode se destacar a cena que mostra o americans life, um sonho surreal da cultura burguesa. Destaques também para os planos mais fechados, que são inseridos nessas cenas dando mais valor as expressões faciais, algo que geralmente não era comum antigamente, quando se usavam planos mais fechados por influência do teatro e por falta de técnicas.

Na seqüência seguinte ainda se tem críticas à vida burguesa, onde tudo pode ser encontrado em uma loja de departamentos. Charles Chaplin ai mostra seus dotes circenses, andando de patins, e usando de gags cada vez mais trabalhadas.

Na seqüência final temos uma cena clássica, na qual Carlitos após ir trabalhar em uma espécie de restaurante onde se tem apresentações para entretenimento das pessoas, a personagem canta uma música composta pelo próprio Charles Chaplin, que se chama "Je cherche après Titine”, nesta cena o ator mostra mais uma vez que é um artista de múltiplas qualidades.

Tempos Modernos termina com Carlitos e sua companheira desempregados e com os teus sonhos acabados, mas com esperança de encontrarem um lugar em que poderão viver sem se preocuparem, ou seja, onde não haja a modernidade, pois eles não se adaptaram a ela.